Para lidar com as frustrações
Não tem potinho de ouro no final do arco íris.
Você pode estar estudando empenhada em fazer tudo o mais perfeito possível. Tudo bem, só não espere receber um potinho de ouro.
Você pode estar entregue ao papel de boa mãe e se dedicar 100% nisso. Mas não espere que lá na frente uma recompensa vai te preencher na mais absoluta sensação de completude – diretamente proporcional às noites não dormidas.
Você pode estar se esforçando na causa: ser uma pessoa legal. Não importa o emprego, o dinheiro, onde mora, o que importa é ser legal. Parece ótimo. Só não fique na expectativa de que, enquanto seus dias correm, uma estátua de “legalzice” é construída em seu nome.
Nesses últimos dias fui acometida por essa frase: não existe potinho de ouro no fim do arco íris e estou me deliciando com a liberdade quase de uma risada, que essa frase provoca.
Sabendo que não tem potinho de ouro, você não estuda focada no que vai ganhar com isso. Aliás, você enxerga que nunca existiu um contrato onde você promete o sacrifício e o estudo te retorna com a glória. Então estudar vira a parte legal de estudar.
Sabendo que não existe potinho de ouro no final, você precisa lidar com a frustração da vida e por mais que milhares de livros auto ajuda e profissionais “salvadores da pátria” preguem que “você vai conseguir tudo o que quiser”, você vai vivendo dando o seu melhor, mas também aprendendo e tentando crescer um pouquinho com as decepções. (afinal, isso pode ser maior do que viver só conseguindo.)
Eu acredito que não existe nada mais libertador do que fazer e viver sem esperar nada em troca. Ok, é claro que isso também é irreal. Estamos em algum tipo de relação com o outro o tempo todo e na necessidade do seu olhar, ou aprovação, mas o que quero dizer é que a recompensa não precisa vir no final.
A gente não precisa pagar para ver. Ninguém precisa ser uma mãe dedicada 100% para ser uma boa mãe. Ninguém precisa sofrer para conseguir. E viver para ter a recompensa só no final, parece uma maneira bastante injusta – consigo mesmo – de viver.
Quanto mais eu faço análise, quanto mais eu estudo mais sinto que o grande significado da vida é viver o presente. E é só possível fazer isso, sem estar olhando para frente.
É muito comum a sensação “todo mundo consegue tudo, menos eu”. Sério, gente? Todo mundo? (Você por acaso trabalha no Censo e passa o dia todo conversando com pessoas, as mais diversas?) Tudo? Não existe todo mundo, muito menos tudo.
Somos seres faltantes e essa é a melhor parte, porque sem falta não há desejo. Já viu alguém que não deseja nada? Isso sim é um lugar horrível para estar. Mas enquanto você estiver sentindo falta, está ótimo. Só não espere o potinho de ouro. A vida fica muito melhor sem essa expectativa.
Semana passada vi uma mãe no parque com seu filho de uns 3 anos de idade. Ela estava tão presente ali, tão sem pressa, tão por inteiro naquele momento que era lindo de ver. Pensei em chegar perto e (igual aquelas tias velhas) falar: “aproveita mesmo, eles crescem tão rápido.” Mas eu sei que essas frases nunca tem impacto então deixei para lá. Guardei para mim a imagem e a beleza do que é um momento vivido na sua completude. (olha ela aí)
Quantas vezes a gente não vê uma fotografia, ou lembra de um momento ou fase da vida já passado e conclue que podia ter aproveitado mais, preocupado menos, se cobrado menos e valorizado o que tinha ali sem focar tanto no que não tinha. Então talvez tenha chegado a hora de parar de repetir esse padrão e sabendo que sempre vai faltar alguma coisa, aproveitar o que tem no presente.
Você tem um marido que ama? Ótimo! Você tem um trabalho que adora? Excelente! Você tem amigos com quem pode contar, ou pelo menos conversar? Que delícia! Você tem uma casa gostosa onde não sente frio, não sente fome e consegue dormir com segurança? Que maravilha! Você tem um sonho lindo, que te alimenta e está disposto a correr alguns riscos por ele? Que coisa mais gostosa!
Você não se viu em nenhuma dessas frases? Então vem aqui.
Talvez a vida seja apenas uma brincadeira de passar anel. Já pensou que burrice seria ficar aflita, ansiosa, ou se martirizando toda hora que não tivesse o anel? Tomara que tendo ou não tendo o anel (marido, trabalho, amigos, casa, sonhos) você nunca se esqueça de aproveitar o simples fato de que ainda está na brincadeira. O anel uma hora vai chegar. Depois vai embora. Então tomara que ter ou não, não seja o mais importante. Afinal, daqui não se leva o anel.